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Como poderia ser o professor do século XXI?

Atualizado: 12 de Out de 2019

O que é ser professor no século XXI, já que estamos lidando muitas vezes com alunos nascidos em um contexto tecnológico totalmente diferente?


Dias atrás, aqui mesmo nas nossas “Dicas da Mosaico”, falamos sobre quem são e como são os alunos do século XXI. Mas, para dar conta do recado e ser um professor realmente significativo para essa garotada, o que fazer? Como se comportar como docente diante de uma geração que tem à mão tantas fontes para pesquisa e consulta ao mesmo tempo e que, aparentemente, não tem mais o professor como única fonte de conhecimento? É possível ser um professor em sintonia com seus alunos?


Como muitos de nós já sabemos, o professor do século passado é caracterizado por ser:

  • o centro de informações da sala de aula;

  • o detentor de todo o conhecimento a ser praticado em sala;

  • o único mediador do conhecimento entre seus estudantes e o mundo; e

  • o responsável por julgar o grau de rendimento dos alunos, premiando os “bons” e penalizando os “maus”.


Mas, pensando bem, não é mais ou menos isso o que ainda temos nas salas de aula? Não seria, talvez, por causa disso, que tantos alunos mostram desinteresse nos conteúdos que lhes são apresentados? Por que, mesmo que as escolas ofereçam materiais “dinâmicos”, como computadores, tablets, aplicativos e lousas digitais, algumas aulas parecem ainda ser tão defasadas e frustrantes tanto para os alunos quanto para os professores?

Muitos são os artigos publicados na internet, as revistas e os livros que buscam dar respostas a essas e a outras perguntas sobre quem é e como poderia ser o profissional do ensino dos tempos atuais, e uma boa dica de leitura é o trabalho do educador espanhol Alfredo Fernando Calvo, Viagem à escola do século XXI: assim trabalham os colégios mais inovadores do mundo.


Partindo de exemplos de experiências inovadoras realizadas por várias escolas ao redor do mundo, Calvo apresenta uma série de características comuns entre elas:

  • a participação ativa dos alunos na busca e na construção de conhecimento, conferindo-lhes maior autonomia;

  • o descentramento do perfil do professor, que deixa de ser a única referência intelectual em sala de aula;

  • o caráter transdisciplinar de atividades baseadas em projetos de pesquisa e aprendizado;

  • a revisão dos métodos de avaliação e de diagnóstico;

  • a necessidade de que os conteúdos a serem ensinados se relacionem diretamente possíveis aplicações na realidade e no cotidiano; e

  • o diálogo mais intenso entre professores e alunos, no qual imperam a compreensão, a criatividade e a competência.


A Mosaico apresenta aqui também cinco dicas que podem contribuir para transformar suas práticas de ensino e que podem te fazer caminhar lado a lado com os seus alunos:


Promova projetos pedagógicos transdisciplinares, cujas etapas intermediárias e resultados estejam mais voltados para a realidade dos alunos ou para as possibilidades de aplicação em contextos reais e que possibilitem entender que os diferentes saberes estão (ou deveriam estar) sempre conectados, e não separados “em caixas”, como no ensino tradicional. Por exemplo: conhecer a comunidade em que os alunos vivem, a história de formação da região, apresentar estatísticas, fazer entrevistas com seus moradores mais antigos, produzir vídeos e seções de fotos que apresentem os aspectos positivos e problemáticos da região, dialogar com personalidades que vivem na região e, ao final, criar um blog com os resultados e convidar a comunidade a visitá-lo e a interagir nesse espaço virtual representativo.


Se o celular é o “amigo inseparável” do aluno, torne-o uma ferramenta didática. Estabeleça um acordo com os alunos sobre o uso do aparelho em sala de aula, estimulando-o na utilização para fazer pesquisas, produzir conteúdos ou procurar aplicativos que possam ajudá-lo na aprendizagem. Falando em aplicativos: há uma infinidade de produtos (pagos e gratuitos), voltados tanto para os professores quanto para os alunos, e para o ensino e a aprendizagem em várias disciplinas – dicionários, jogos, facilitadores para cálculos matemáticos, banco de tutoriais etc.



Ponha em prática o multiletramento. Textos não são apenas letras pretas impressas sobre uma folha branca de papel – também os temos em formatos digitais, imagéticos, orais e audiovisuais. Estimule seus alunos oferecendo-lhes mostras variadas de texto (os saberes se realizam em diversos suportes), oriente-os a lê-los e a identificar neles suas características comuns e seus contrastes com outros textos. Incentive-os a produzirem textos de materialidades diversas, em variados suportes, e tendo as ferramentas digitais como aliadas.



Lembre que seus alunos também são agentes de conhecimento. Se antes o professor era o principal responsável por difundir todo o conteúdo, e ao aluno cabia a tarefa de absorver pacientemente, hoje as coisas estão bem diferentes. Em vez do poder centralizador do professor, a sala de aula do século XXI é um espaço multipolar, no qual cada estudante tem a possibilidade de compartilhar também seus próprios saberes com todo o grupo. Possibilite que seus alunos compartilhem suas experiências, seus conhecimentos e suas dúvidas: a sala de aula é um espaço dinâmico – e isso não significa apenas mudar as mesas e cadeiras de posição, ok?


Repense suas avaliações. Se a avaliação tradicionalmente era uma ferramenta usada para separar os aptos dos inaptos, hoje ela pode ser pensada a partir de outras perspectivas: para medir os níveis de dificuldade da disciplina ou de um determinado assunto; para analisar o grau de assimilação de um determinado conteúdo; para diagnosticar os principais problemas apresentados por uma turma; para que o docente possa rever quais são os melhores métodos de aferição a serem oferecidos aos alunos... Além do mais, a avaliação tem deixado, cada vez mais, de ser um produto final, e tem passado a ser entendida como um instrumento mais amplo, que envolve todas as etapas intermediárias da produção de conhecimento e que pode colaborar para o planejamento de aulas mais apropriadas à dinâmica de suas turmas. Ou seja, a avaliação deve estar presente tanto no produto quanto também no processo.

Bem, estas são apenas algumas dicas, e o professor do século XXI ainda tem muitas possibilidades a oferecer aos seus estudantes. Se querem saber mais, pesquisem, leiam, consultem vários textos e, claro, contem com a Mosaico!

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