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Você sabe o que é letramento?

Atualizado: 23 de Out de 2019

Existe uma grande diferença entre alfabetização e letramento. Você sabe explicar que diferença é essa? Nosso post de hoje vai te ajudar a entender melhor esses conceitos.

Já há algum tempo se discute que, na sociedade atual, ser alfabetizado não é condição suficiente para um bom desempenho comunicativo e para a inserção efetiva das pessoas nas diversas esferas com as quais se envolvem em suas vidas. Mas o que se entende, nesse contexto, por “alfabetização”? A alfabetização é um processo no qual se ensina as pessoas a ler e a escrever, ou seja, no qual um sujeito que antes era considerado analfabeto, que não dominava a linguagem escrita passa à condição de sujeito alfabetizado, aquele que conhece as técnicas para a leitura e a escrita.

Mas por que motivos esse conhecimento passou a ser insuficiente? Os pesquisadores descobriram que, embora muitas pessoas tenham aprendido as técnicas básicas da leitura e da escrita, elas não conseguiam fazer um uso produtivo desses conhecimentos: não eram capazes de utilizar a escrita para se comunicar e nem mesmo de compreender textos simples aos quais eram expostas.

Foi esse contexto que levou ao surgimento do termo “letramento”, que começou a ser discutido no Brasil, ainda nos anos 1980, nas áreas da Educação e das Linguagens.


Magda Soares, uma das pesquisadoras brasileiras que mais se dedicou ao tema (veja aqui entrevista com ela), apresenta-o com detalhes no livro Letramento: um tema em três gêneros.


Neste livro, Magda afirma que a expressão surgiu como uma versão em língua portuguesa do termo literacy, do inglês, que significaria, nas palavras da pesquisadora, “o estado ou condição que assume aquele que aprende a ler e escrever”.

Ou seja, mais que ser alfabetizado, o sujeito letrado é aquele cujo domínio da escrita e da leitura implicou uma mudança de condição social: esse sujeito não apenas conhece o código verbal, mas é capaz de usá-lo adequadamente em seu benefício em situações profissionais, pessoais e escolares.


Diante de tudo isso, Magda Soares ainda faz uma alerta: é possível que uma pessoa que não saiba ler nem escrever, ou seja, que é analfabeta, seja no entanto letrada. Como isso seria possível? Se essa pessoa, ainda que não domine os códigos da escrita e da leitura, está inserida em um meio no qual as práticas da palavra têm forte presença, ela pode fazer uso da escrita e da leitura por intermédio de terceiros: pode pedir que leiam para ela jornais e revistas, pode ditar cartas para que alguém as escreva, pode solicitar que lhe auxiliem na compreensão de avisos ou documentos escritos. Ou seja, essa pessoa conhece os usos sociais da escrita e da leitura e, ainda que não consiga realizá-los por conta própria, é capaz de inseri-los em seu cotidiano.


Mas o termo letramento não remete apenas ao domínio da linguagem verbal, e suas aplicações têm variado bastante desde o início de sua difusão em nosso país: fala-se em letramento matemático, em letramento literário, em letramento financeiro... E, no contexto das pesquisas em educação e linguagem, ganhou destaque no início do século XXI a noção de “multiletramento”.


Mas o que seria isso? É o mesmo que apontar para esses “letramentos múltiplos” que precisam ser fomentados nos processos de formação dos sujeitos? Para ficar por dentro do assunto, acompanhe o nosso próximo post! Até lá!


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